Como o Brasil perdeu o monopólio do açúcar?
Nos anos 1630, uns 80% do açúcar vendido em Londres vinham do Brasil. Em 1690, só 10%. Quem ensinou o concorrente foi um velho sócio, e tudo aconteceu em menos de dez anos.
Toque no vídeo para assistir aqui mesmo.
O monopólio do açúcar se apoiava na parceria com os holandeses. A guerra rompeu essa sociedade; ocupando Pernambuco por quase 25 anos, eles aprenderam o negócio e, expulsos, levaram técnica e crédito para o Caribe. Com novos vendedores e mercados europeus fechados, o Brasil perdeu espaço e o preço do açúcar caiu à metade. É a concorrência em ação.
Uma padaria na rua
Pense numa rua com uma padaria só: ela cobra o que quiser. Aí abre outra ao lado, com forno novo, e o pão fica mais barato.
A sociedade rompida
Os holandeses transportavam, refinavam e vendiam o açúcar do Brasil na Europa, e o monopólio se apoiava nessa parceria. Mas Portugal passou para o domínio da Espanha, que estava em guerra com a Holanda, e a sociedade virou briga.
Em 1630, os holandeses tomaram Pernambuco e ficaram quase 25 anos. Nesse tempo, aprenderam tudo do negócio: a técnica do engenho e a organização da produção.
O custo da expulsão
A guerra foi paga com imposto sobre o açúcar: em 1648, mais de 80% dos impostos vinham dele. Engenhos queimados, canaviais destruídos, e em 1654 Pernambuco produzia só 10% do açúcar do Brasil.
O Caribe
Enquanto isso, no Caribe, ingleses e franceses viviam de fumo, e o preço do fumo estava caindo. Barbados já tinha começado a fazer açúcar com o que aprendeu de Pernambuco, e em 1643 já vendia na Europa.
Os holandeses expulsos chegaram com o resto: técnica, equipamento e crédito fácil para comprar terra e pessoas escravizadas. Preferiram virar sócios dos colonos das ilhas a montar tudo sozinhos.
Menos de dez anos depois da expulsão, as ilhas tinham uma economia do açúcar de peso, com engenhos novos e numa posição melhor no mapa. Pernambuco gastava o que tinha para se reconstruir.
Portas fechadas
Inglaterra e França, com açúcar das próprias colônias, passaram a barrar o açúcar brasileiro nos seus portos. Entre 1650 e 1710, o açúcar do Brasil nos mercados europeus caiu uns 40%.
Com mais vendedores, o preço fez o que a padaria ensina: no terceiro quarto do século XVII o açúcar valia a metade, e ficou baixo o século seguinte inteiro. E o senhor de engenho nem podia segurar estoque esperando preço melhor, porque o comprador tinha para onde ir.
Fechando a conta
Fontes
- SCHWARTZ, S. B. Segredos Internos. p. 157–163.
- FURTADO, C. Formação Econômica do Brasil. Caps. II, IV, VI e IX.