Por que o Brasil tem nome de mercadoria?
Há país com nome de rio, de santo, de rei. O Brasil tem nome de uma árvore que dava tinta vermelha, o pau-brasil. E essa primeira mercadoria já mostra por que um negócio que muda de lugar não consegue povoar um território.
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O pau-brasil era uma economia extrativa: tirava-se a madeira do mato, sem plantar nada, por meio de escambo com os indígenas e sob monopólio da Coroa. Como as árvores estavam espalhadas e acabaram rápido, o negócio era nômade e não fixava ninguém. Quem fixou gente no território foi o açúcar.
Economia extrativa
O valor estava na cor. Da madeira saía um corante vermelho para tingir tecido, e na Europa pagavam caro por isso.
Escambo e monopólio
Quem cortava eram os indígenas, em troca de miçanga, tecido, faca e machado.
Para o traficante, aquilo era quinquilharia barata, e a madeira valia muito lá fora.
O dono do negócio era o rei. O pau-brasil era monopólio da Coroa: só explorava quem tinha concessão. A primeira foi para um grupo de Fernando de Noronha, sim, o nome da ilha.
Um negócio nômade
Os franceses vinham buscar a mesma madeira sem pedir licença. A disputa era resolvida a tiro, e cada lado erguia fortins na praia para guardar as toras.
Esses fortins eram abandonados quando o navio ia embora. A árvore não crescia em bosque: ficava espalhada no mato. Cortou ali, acabou, muda de lugar. Em poucas décadas, o melhor das matas da costa já tinha sido derrubado, e o negócio perdeu a graça.
Defender é ocupar
O rei percebeu o problema: guarda-costas não segurava a terra contra os franceses. Para defender, era preciso ocupar. E só fica morando quem tem um negócio que pague o ano inteiro.
Esse negócio foi o açúcar. Cana pede terra fixa, engenho e gente o ano todo. Com as capitanias, nos anos 1530, começa o povoamento de verdade.
O padrão que se repete
Para Caio Prado Júnior, esse início já mostra o sentido da colonização brasileira: um território organizado para fornecer produtos à Europa. O pau-brasil foi a primeira mercadoria desse padrão; outras viriam.
Fechando a conta
Fontes
- PRADO JR., C. História Econômica do Brasil. Cap. "Caráter inicial e geral da formação econômica brasileira".
- SCHWARTZ, S. B. Segredos Internos. Cap. 2.
- FURTADO, C. Formação Econômica do Brasil. Cap. I.