A crise de 1929 foi causada pela bolsa?
Em 29 de outubro de 1929, mais de 16 milhões de ações foram vendidas num único dia em Nova York, e a bolsa desabou. Mas não foi isso, sozinho, que causou a Grande Depressão. O que transformou uma quebra de bolsa em depressão foi a quebra dos bancos.
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A bolsa caiu mais de 80% entre 1929 e 1932, e o calote de quem tinha comprado ação a crédito minou a confiança nos bancos. Vieram três ondas de corrida bancária: mais de um terço dos bancos americanos faliu e a quantidade de dinheiro encolheu um quarto. Preso ao padrão-ouro, o Fed subiu os juros em vez de socorrer. A economia encolheu 30% e um em cada quatro trabalhadores ficou sem emprego.
A euforia
Nos anos 1920, os Estados Unidos viviam uma euforia, e muita gente comprava ação com dinheiro emprestado. Os bancos pegavam dinheiro a 5% e repassavam a 12% para quem queria apostar na bolsa, e o comprador pagava só uma pequena parte do valor das ações.
A queda
Aí veio outubro de 1929. O índice da bolsa, que estava em 216 pontos em setembro, foi caindo até 34 pontos em 1932: uma queda de mais de 80%.
Como a quebra da bolsa chegou à vida real? Quem tinha comprado ação a crédito não conseguiu pagar o empréstimo, e as famílias, mais pobres de uma hora para outra, cortaram gastos. Com menos vendas, as empresas demitiram, e empresas e fazendeiros começaram a não pagar o que deviam aos bancos.
Por que banco quebra
Quando você deposita dinheiro no banco, ele empresta boa parte para outras pessoas. É assim que o crédito funciona. Mas, se todo mundo resolve sacar ao mesmo tempo, o dinheiro não está todo ali, e o banco quebra.
Com o calote crescendo, veio a desconfiança, e com ela três ondas de pânico entre 1930 e 1933. Mais de um terço dos bancos do país faliu, e a quantidade de dinheiro na economia encolheu um quarto.
O Fed e o ouro
Na época, os Estados Unidos seguiam o padrão-ouro: cada dólar podia ser trocado por uma quantidade fixa de ouro. Em setembro de 1931, a Inglaterra abandonou o ouro, e o mundo correu para trocar dólares por ouro, com medo de que os americanos fizessem o mesmo.
Para segurar o ouro no país, o Fed subiu os juros, bem no meio da quebradeira dos bancos. Para os economistas Milton Friedman e Anna Schwartz, o banco central podia ter evitado o desastre, e não evitou.
O tamanho do estrago
De 1929 a 1933, a economia americana encolheu 30%, e um em cada quatro trabalhadores ficou sem emprego. No Brasil, o preço do café despencou, porque os americanos pararam de comprar.
A lição que ficou
É por isso que todo banco central, até hoje, tem medo de corrida bancária e corre para socorrer o sistema na primeira crise. Seguro de depósitos, empréstimos de emergência aos bancos e a disposição de baixar juros numa crise financeira vêm, em boa parte, das lições de 1929 a 1933.
Fechando a conta
Fontes
- SAES, F. A. M.; SAES, A. M. História Econômica Geral. Cap. 11.
- KRUGMAN, P.; WELLS, R. Macroeconomia. Cap. 30.
- FRIEDMAN, M.; SCHWARTZ, A. J. A Monetary History of the United States, 1867–1960. 1963.