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História econômica · Padrão-ouro e Bretton Woods

Por que o dólar deixou de valer ouro em 1971?

Em 15 de agosto de 1971, num domingo à noite, o presidente americano Richard Nixon entrou em rede nacional e mudou o dinheiro do mundo inteiro. Desde aquela noite, a nota no seu bolso não é garantida por nada além de confiança.

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Resposta curta

No sistema de Bretton Woods, só o dólar era trocável por ouro, e as outras moedas ficavam presas ao dólar. O comércio mundial precisava de cada vez mais dólares, e cada dólar a mais tinha menos ouro por trás. Quando a desconfiança virou corrida, Nixon fechou a "janela do ouro". Desde então, o que segura o valor do dinheiro é a confiança de que o banco central não vai imprimir demais.

O que era o padrão-ouro

Padrão-ouroUm sistema em que a moeda de um país vale uma quantidade fixa de ouro e pode ser trocada por ele.

Você podia levar uma nota de libra ao Banco da Inglaterra e sair com ouro na mão. Para isso funcionar, o banco central precisa guardar ouro no cofre e não pode imprimir dinheiro à vontade.

Isso deixava o câmbio fixo: uma libra valia uns 4,87 dólares, ano após ano, e isso dava confiança para comerciar entre países. O preço era ficar de mãos amarradas, como o Fed em 1931, que subiu juros no meio de uma crise bancária para não perder ouro.

Bretton Woods

Depois da Segunda Guerra, em 1944, os aliados montaram em Bretton Woods uma versão nova: só o dólar ficava preso ao ouro, a 35 dólares por onça (uns 31 gramas). As outras moedas ficavam presas ao dólar, e qualquer banco central podia trocar seus dólares por ouro com o governo americano.

A armadilha de Triffin

Para o comércio mundial crescer, o mundo precisava de cada vez mais dólares. E cada dólar a mais lá fora tinha menos ouro por trás no cofre americano. O economista Robert Triffin avisou: uma hora essa conta não fecha.

Dilema de TriffinSe o país emissor da moeda de reserva fornece dólares suficientes para o mundo, mina a confiança na conversão em ouro; se não fornece, trava o comércio mundial.

E não fechou. Em 1960, os Estados Unidos tinham 18 bilhões de dólares em ouro, e os bancos centrais estrangeiros já guardavam 19 bilhões em dólares. É a mesma lógica da corrida bancária: se todos fossem trocar ao mesmo tempo, não haveria ouro para todos.

Agosto de 1971

Nos anos 1960, a desconfiança cresceu. Em 1971 virou corrida: a Alemanha soltou o marco, e a França e a Inglaterra planejavam trocar seus dólares por ouro.

Em 15 de agosto, Nixon fechou a chamada janela do ouro: os Estados Unidos não trocariam mais dólares por ouro, a preço nenhum. E criou uma sobretaxa de 10% nas importações para pressionar os outros países.

Em 1973, as principais moedas passaram a flutuar: o câmbio virou um preço de mercado, que sobe e desce todo dia. E o ouro, que valia 35 dólares a onça, passou de 120.

O que segura o dinheiro hoje

Moeda fiduciáriaMoeda que não é trocável por metal nenhum. Vale porque as pessoas confiam que ela será aceita e que não será emitida em excesso.

Desde então, o que segura o valor do dinheiro é a confiança de que o banco central não vai imprimir demais. Por isso, quando a inflação sobe, todo mundo olha para o banco central.

Fechando a conta

1. O ouro dava confiança, mas amarrava as mãos dos bancos centrais.
2. Bretton Woods pôs o dólar no lugar do ouro, e o mundo precisou de mais dólar do que havia ouro.
3. A desconfiança virou corrida, e Nixon fechou a janela em 1971.
Desde 1971, o valor do dinheiro se apoia na confiança no banco central.

Fontes

  • EICHENGREEN, B. A Globalização do Capital. 2000.
  • SAES, F. A. M.; SAES, A. M. História Econômica Geral. Cap. 10 e 12.