Por que a última hora de estudo custa mais caro que a primeira?
A Júlia dirige por aplicativo. As primeiras cinco horas que ela tira para estudar custam R$ 40 de corrida; as últimas cinco, R$ 160. A hora é a mesma, mas sai de um horário que rendia mais.
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Cada bloco de estudo tira tempo de um horário de corrida diferente, e a Júlia larga primeiro o que rende menos. Por isso cada hora a mais de estudo custa mais: o custo de oportunidade é crescente. No gráfico, isso vira uma curva dobrada para fora, a fronteira de possibilidades de produção.
Vinte horas, quatro blocos
Num exemplo ilustrativo: a Júlia tem 20 horas livres no fim de semana, em quatro blocos de 5 horas. Dirigindo, cada bloco rende um valor diferente.
O preço de estudar
Quando decide estudar, ela tira o tempo primeiro de onde dói menos: o domingo de manhã. As primeiras 5 horas de estudo custam só R$ 40 de corrida. Para estudar mais, sai o sábado à tarde, depois o sábado à noite, e para estudar as 20 horas ela larga até a sexta à noite.
O preço de verdade de estudar é a corrida que ela deixa de fazer. E esse preço sobe, porque cada bloco novo sai de um horário que rendia mais.
A curva
Pondo todas as combinações de horas de estudo e dinheiro de corrida num gráfico, sai uma curva dobrada para fora. A dobra é o custo de oportunidade crescente: quanto mais se insiste numa coisa, mais caro fica cada pedaço a mais dela.
Em cima, dentro e fora da curva
Em cima da curva, ela aproveita tudo. Se ela estuda 10 horas e dirige no domingo de manhã, ganha R$ 120. Mas podia dirigir na sexta à noite e no sábado à noite e ganhar R$ 280. Nesse caso ela fica dentro da curva: é possível, mas é desperdício.
Fora da curva, como estudar 15 horas e ainda ganhar R$ 300, não dá com o tempo que ela tem. A curva separa o possível do impossível.
Quando a curva anda
A curva só sai do lugar se ela passar a render mais: um carro mais econômico, um jeito de estudar mais rápido. Aí cabe mais de tudo. É isso que o economista chama de crescimento.
Cuidado na prova
Ponto dentro da curva não é inviável; é ineficiente. Inviável é o ponto fora da curva.
Fechando a conta
Fontes
- KRUGMAN, P.; WELLS, R. Introdução à Economia. Rio de Janeiro: Elsevier/Campus, 2007. Cap. 2 (exemplo ilustrativo).