Como uma padaria pode lucrar R$ 5 mil e ter prejuízo de verdade?
O contador diz que a padaria lucrou R$ 5 mil no mês. O economista diz que ela deu prejuízo de R$ 1 mil. Os dois fizeram a conta certa, mas só um decide se vale continuar.
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O lucro contábil desconta da receita só os custos que saem do caixa e a depreciação. O lucro econômico desconta também os custos implícitos: o salário que o dono deixou de ganhar e o rendimento do capital dele parado no negócio. Na padaria, esses custos invisíveis transformam R$ 5 mil de lucro em R$ 1 mil de prejuízo.
O lucro do contador
Na padaria do exemplo:
O lucro do economista
O primeiro custo invisível é o tempo do dono. Ele trabalha na padaria o dia inteiro e não tira salário, mas largou um emprego de R$ 4.000 por mês. Esses R$ 4.000 são custo.
O segundo é o capital. Os equipamentos são dele e valem R$ 200 mil. Se ele vendesse e aplicasse o dinheiro, suponha que renderia 1% ao mês: R$ 2.000. Esse rendimento que ele deixa de ter é o custo implícito do capital.
Traduzindo: fechando a padaria, vendendo os equipamentos e voltando ao emprego, ele ficaria R$ 1.000 por mês melhor. O manual de Krugman e Wells chega ao mesmo tipo de resultado com uma copiadora: US$ 35 mil de lucro contábil e US$ 2 mil de prejuízo econômico.
Para que serve cada um
O lucro contábil serve para o imposto de renda e para prestar contas a quem investe no negócio. Para decidir se vale continuar, o que importa é o lucro econômico. Por isso, nas aulas de microeconomia, "lucro" quer dizer lucro econômico.
Cuidado na prova
Lucro econômico zero não é ruim. Quer dizer que o dono ganha exatamente o que ganharia na melhor alternativa: o negócio paga o tempo e o capital dele tão bem quanto o mercado pagaria.
Fechando a conta
Fontes
- KRUGMAN, P.; WELLS, R. Introdução à Economia. Rio de Janeiro: Elsevier/Campus, 2007. Cap. 7.