Se a médica digita mais rápido, por que ela paga alguém para digitar?
Parece desperdício pagar alguém mais lento para fazer o serviço. Não é. Quem decide quem faz o quê não é a vantagem absoluta, é a comparativa.
Toque no vídeo para assistir aqui mesmo.
A médica digita o dobro da secretária, mas cada hora digitando custa a ela quatro consultas. Para a secretária, a mesma hora custa só um pouco de agenda adiada. Quem abre mão de menos deve fazer a tarefa. Isso é vantagem comparativa, e ela explica desde a divisão de tarefas numa clínica até o comércio entre países.
Quem faz mais rápido
Num exemplo: em uma hora, a médica digita 20 laudos. A secretária, 10.
A médica tem vantagem absoluta na digitação. Mas essa não é a pergunta certa.
Quanto custa digitar
A pergunta certa é quanto custa digitar para cada uma. Na hora em que digita, a médica deixa de atender quatro pacientes. A secretária, quando digita, só deixa de organizar a agenda, que pode esperar.
Quem abre mão de menos faz a tarefa. Com cada uma no seu lugar, a clínica atende mais pacientes e os laudos saem do mesmo jeito. Sobra dinheiro para dividir: a médica fatura mais e paga o salário da secretária.
Todo mundo tem vantagem comparativa em algo
Mesmo quem é pior em tudo é menos pior em alguma coisa, e é ali que rende mais para o grupo. Vantagem absoluta pode não existir; vantagem comparativa sempre existe, porque é uma comparação de custos.
Com países é igual
Bangladesh produz menos por trabalhador que os Estados Unidos em quase tudo. Mas a diferença é pequena em roupa e enorme em avião. Por isso a etiqueta da sua camiseta diz Bangladesh, e o avião é americano. Cada país faz o que lhe custa menos, e os dois consomem mais do que se fizessem tudo sozinhos.
A lição
A médica não paga alguém para digitar porque digita mal. Paga porque a hora dela vale consultas. É por isso que o dono do restaurante não lava prato, mesmo que lave melhor do que ninguém.
Fechando a conta
Fontes
- KRUGMAN, P.; WELLS, R. Introdução à Economia. Rio de Janeiro: Elsevier/Campus, 2007. Cap. 2 (Tom e Hank; nação rica, nação pobre).