Por que a última fatia de pizza vale menos?
A primeira fatia é incrível; a oitava, nem tanto. Isso tem nome na economia, tem uma derivada por trás e explica por que o rodízio dá lucro.
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Cada fatia a mais acrescenta menos satisfação do que a anterior. Esse acréscimo é a utilidade marginal, e ela é a derivada da satisfação total. Como ela cai a cada unidade, você paga cada vez menos por mais uma fatia. É por isso que a curva de demanda desce, e é por isso que o rodízio não quebra.
Medindo a satisfação
Imagine que dá para dar nota à satisfação de comer pizza. A primeira fatia vale 15 pontos. A segunda soma mais 13. A terceira, mais 11.
A satisfação total continua subindo, mas cada fatia soma menos que a anterior.
A derivada da satisfação
No gráfico, a satisfação total é uma curva que sobe cada vez mais devagar. A utilidade marginal é a inclinação dessa curva: é a derivada. E essa inclinação vai caindo, fatia após fatia.
Na oitava fatia, a utilidade marginal chega perto de zero: a curva fica deitada, e você está satisfeito. Na nona, ela fica negativa. Comer mais piora.
Do prato ao preço
Agora entra o dinheiro. Quanto você pagaria por mais uma fatia? Quanto mais você já comeu, menos. É por isso que a curva de demanda desce: cada unidade a mais vale menos para quem compra, e só sai se o preço cair.
Por que o rodízio dá lucro
O rodízio aposta nessa queda. Cobra um preço fixo, e as últimas fatias valem tão pouco para você que você para sozinho. O restaurante não precisa limitar quantas fatias cada um come: a utilidade marginal decrescente faz isso por ele.
O manual de Krugman e Wells faz essa mesma conta com mexilhões, e lá a satisfação total também para de crescer na oitava unidade.
Quando a regra falha
Nem tudo segue a regra. O segundo café pode ser melhor que o primeiro para quem está aprendendo a gostar, e quem coleciona algo pode valorizar mais a peça que completa a coleção. Mas para quase tudo que consumimos, ela vale.
Fechando a conta
Fontes
- KRUGMAN, P.; WELLS, R. Introdução à Economia. Cap. 10 (utilidade marginal; exemplo dos mexilhões).